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Finanças Municipais

Antes da crise, municípios elevaram investimentos
Dados levantados sobre as finanças dos Municípios mostram que no momento da crise acabaram elevando seus investimentos. Pressionados pelos fatos os Municípios provavelmente assumiram mais obrigações dos Estados e da União.
10/03/2010
Clipping Planejamento / Valor Econômico

Os investimentos feitos pelos municípios subiram 53,2% entre 2002 e 2008, saindo de R$ 22,09 bilhões para R$ 33,84 bilhões. O ritmo seguiu de perto a evolução de 61,6% das receitas no mesmo período, saindo de R$ 163,8 bilhões para R$ 264,85 bilhões, segundo o anuário Multi Cidades lançado ontem, durante comemoração dos 20 anos da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP).
 
Embora os dados cheguem apenas até 2008, essa é a primeira radiografia das finanças municipais feita pela entidade com base nos dados mensais que cada prefeito é obrigado a enviar ao Tesouro Nacional para a apuração de informações, por exemplo, sobre o resultado fiscal do setor público consolidado. Trabalhados os números da arrecadação e confrontados com os gastos dos mais de 5 mil municípios do país, o anuário informa que em 2008 a receita por habitante foi de R$ 1,415 na média do país. Em 102 cidades com menos de 80 mil habitantes, porém, a receita per capita ficou abaixo de mil reais (incluindo repasses do Fundo de Participação dos Municípios).
 
A estabilidade e o crescimento mais uniforme da economia foram fundamentais para o salto nas receitas, ancorado por uma máquina fiscal melhor equipada por tecnologia e gestão, modernização que foi financiada por linhas de financiamento de organismos multilaterais ainda no governo Fernando Henrique Cardoso.
 
Segundo o presidente da FNP, João Coser, prefeito de Vitória (PT), "a melhoria no perfil da arrecadação permitiu que os municípios investissem mais e se tornassem fontes importantes de investimento público". Embora sem os dados de 2009, Coser tem certeza que esses números foram afetados pela crise internacional, e por isso já antecipa: "o gráfico vai embicar."
Entre 2006 e 2008, os investimentos cresceram seguidament
e, fazendo uma média de 29% por ano, com destaque para quatro cidades do interior paulista (Barueri, Guarulhos, São Bernardo do Campo e São José dos Campos), entre as dez que mais investiram naquele ano. Assim como as receitas, as despesas subiram em ritmo semelhante: 56,9% entre 2002 e 2008, passando de R$ 163,88 bilhões para R$ 257,29 bilhões.
 
A surpresa fica por conta dos dados sobre endividamento. A coleta da FNP aponta que entre 1998 e 2008, o passivo financeiro dos municípios caiu e o ativo financeiro subiu. Somente em 2008, as prefeituras tiveram superávit de R$ 20,85 bilhões, resultado de receitas de R$ 47,75 bilhões e dívida financeira de R$ 26,90 bilhões. Foi a melhor suficiência de caixa registrada. Mas a FNP lembra que o Tesouro contabiliza, nesses ativos, recursos como as reservas de institutos previdenciários, constituídas para garantir aposentadorias futuras. Ou seja, nem tudo é liquidez.
 
Da mesma forma, nas pequenas cidades brasileiras a maior parcela da dívida de longo prazo é referente a débitos previdenciários. Excluídas São Paulo (11,1%) e Rio de Janeiro (9,4%), as despesas das demais capitais com serviços da dívida ficaram em 2,9% da receita corrente, na média, em 2008. Em Campinas, onde os gastos com encargos da dívida (R$ 97,5 mil) foram equivalentes a 4,8% da receita, a prefeitura avisou que vai fazer uma varredura nos contratos, na expectativa de reduzir o passivo.

Autor: Azelma Rodrigues, de Brasília