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Economia

Ritmo de expansão da economia deve diminuir
Análise efetuada por empresa de consultoria em economia mostra que alguns fatores podem levar à redução do ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto em 2010.
12/03/2010
Clipping Planejamento / Folha de São Paulo

 Este breve comentário sobre o desempenho do PIB brasileiro no 4º trimestre, bem como no ano de 2009 como um todo, concentra-se na evolução de dois componentes da demanda agregada: os investimentos e a variação de estoques. Embora tenham peso limitado no PIB (da ordem de 18% e apenas 1%, respectivamente), as inflexões violentas desses componentes condicionaram fortemente os números ao longo do ano.

Considerando o ano todo de 2009, o investimento -isto é, a compra de máquinas e equipamentos e o gasto na construção civil- caiu nada menos que 10%, contribuindo decisivamente para a desaceleração da economia. Já a "queima" de estoques, motivada pela queda súbita da demanda e da confiança empresarial, bem como pelo virtual travamento do crédito no início do ano, subtraiu algo como 1,7 ponto percentual do PIB (pelos cálculos da LCA).

Noutras palavras, não fosse por esse movimento de liquidação de estoques (e pelo brutal corte de produção que o acompanhou), a variação anual do PIB, ligeiramente negativa (-0,2%), teria sido próxima de +1,5%.
O corte de investimento, no entanto, foi muito concentrado no tempo: entre o trimestre final de 2008 e o primeiro de 2009, a formação bruta de capital fixo acumulou queda de 20%. A recuperação do investimento começou já no 2º trimestre e prosseguiu, com velocidade bem maior, no 3º e no 4º. Embora sem dúvida a sustentação do consumo (estimulada pela política econômica) tenha sido o fator que impediu recessão mais pronunciada e mais prolongada em 2009, não se pode deixar de constatar que na segunda metade do ano a recuperação da atividade foi liderada pelo investimento (que também recebeu estímulos, como reduções de tributação e do custo de linhas de crédito).

A influência da variação de estoques igualmente se inverteu ao longo do ano. O esforço das empresas para fazer caixa foi um forte freio sobre o PIB no primeiro semestre, mas já no 4º trimestre a indústria (sobretudo de bens de consumo) acelerou a produção para recompor seus estoques. A alta do PIB no 4º trimestre, de 2% sobre o 3º, foi "inflada" por esse movimento, sem o qual ela teria se limitado a cerca de 1,5%.

Olhando à frente, é alta a probabilidade de que a retomada do investimento prossiga (tendo em vista, entre outros fatores, a elevada confiança empresarial e o estreitamento da capacidade ociosa -sobretudo nas indústrias de bens de consumo). Também parece provável que, em parte devido ao encerramento da recomposição de estoques, o ritmo de alta do PIB arrefeça (começando já no trimestre ora em curso). Aliás, essa suposição está implícita nas projeções do mercado: ao apontarem, em média, para alta do PIB de 5,5% em 2010, elas embutem a expectativa de que ele cresça (sobre o trimestre imediatamente anterior) cerca de 1% a cada trimestre.

Autor: FERNANDO SAMPAIO , economista, é sócio-diretor da LCA Consultores